|
Juazeiro
do Norte
A Terra do Padre Cícero
Localização
A cidade de Juazeiro do Norte está
localizada no extremo sul do Estado do Ceará, no chamado Vale
do Cariri, distante cerca de 563 km de Fortaleza, pela BR 116.
É uma das maiores cidades do interior nordestino. A área do
Município é de 234 km2.
Limites

Ao norte, com Caririaçu; ao sul, com Barbalha; a leste, com Missão Velha e a
oeste, com Crato.
Altitude
Juazeiro do Norte está
a 377 m em relação ao nível do mar. O ponto mais elevado é a
Serra do Horto, onde foi erigido o Monumento do Padre Cícero,
com 22 m de altura (14 m de estátua e 8 m de pedestal), o
terceiro do mundo em altura. A gigantesca estátua foi obra do
escultor pernambucano Armando Lacerda e foi inaugurada em lº
de novembro de 1969, pelo então Prefeito Mauro Sampaio.
Clima
Semi-árido, com médias de temperaturas entre
22-35 graus. De junho a agosto faz um pouco de frio. A época
chuvosa geralmente vai de janeiro a abril. O município é
banhado pelo Rio Salgadinho, que nasce na vizinha cidade de
Crato.
População
Cerca de 250 mil habitantes,
sendo que a maior parte se concentra na zona urbana. A
população de Juazeiro do Norte é bastante heterogênea. Há
praticamente pessoas de todos os Estados nordestinos, muitos
dos quais romeiros, que para aqui vieram atraídos pela fama do
Padre Cícero. A população nativa representa hoje menos da
metade do total.
Uma característica marcante é o fato de muita
gente aqui ter o nome de Cícero ou Cícera, em homenagem ao
Padre Cícero, o fundador da cidade. Outra característica
marcante da população é vestir luto todo dia 20, devido a
promessa feita ao Padre Cícero, que morreu no dia 20 de julho
de 1934. Padre Cícero sempre recomendou à população que orasse
e trabalhasse. Daí porque aqui, cada oficina é um lar e cada
lar uma oficina.
Origem
O lançamento da pedra
fundamental de uma capela em honra de Nossa Senhora das Dores,
em 15 de setembro de 1827, no local denominado Fazenda Taboleiro Grande (município de Crato), de propriedade do
Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, marca o início da
história do lugar que é hoje a cidade de Juazeiro do Norte.
Conta-se que três frondosos juazeiros existentes em frente
à capela, à margem da antiga estrada Missão Velha - Crato,
passaram a ser pousada obrigatória de viajantes e tropeiros,
que viviam em andanças pelos sertões. Com o tempo, começaram a
surgir as primeiras moradias e pontos de negócios, tendo
início o povoamento. A fundação da cidade, porém, se deve ao
Padre Cícero.
Etimologia
O topônimo Juazeiro
deve-se a uma conhecida árvore, muito comum no Nordeste, que
resiste à seca mais inclemente, permanecendo sempre viçosa,
chamada cientificamente Ziziphus juazeiro. A palavra é
híbrida, tupi-portuguesa: juá ou iu-á (fruto de espinho) + o
sufixo eiro.
Chegada do Padre Cícero
Quando Padre
Cícero chegou ao povoado de Juazeiro, em 11 de abril de 1872,
para fixar residência, o local era um pequeno aglomerado
humano com uma capelinha erigida pelo primeiro capelão, o Padre
Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro Leandro Bezerra
Monteiro, uma escola, cerca de 35 casas (a maioria de taipa) e
duas pequenas ruas (Rua Grande e Rua do Brejo). Cinco famílias
importantes habitavam o local: Macedo, Gonçalves, Sobreira, Landim e Bezerra de Menezes. O restante da população era
formado por escravos e arruaceiros afeitos à bebedeira e à
prostituição.
Antes de fixar residência definitiva no
povoado de Juazeiro, Padre Cícero o visitou pela primeira vez
no Natal de 1871, a convite do Professor Simeão Correia de
Macêdo, para celebrar a tradicional Missa do Galo. Segundo
Padre Azarias, Padre Cícero chegou a revelar a amigos íntimos
a verdadeira decisão de morar em Juazeiro. Foi um sonho (ou
visão) segundo o qual, certa vez, ao anoitecer de um dia
cansativo, após haver passado horas inteiras confessando as
pessoas do então arraial, ele se deitou para descansar, e a
visão que selaria seu destino se revelou.
Conforme seu relato,
ele viu, nitidamente, Jesus Cristo e os doze Apóstolos,
sentados à mesa, numa cena idêntica à Ceia Larga (de Leonardo
da Vinci). De repente, uma multidão de pessoas famintas, tipo
flagelados das secas nordestinas, invade o local. Então,
Jesus, virando-se para os famintos, falou de sua decepção com
a humanidade, embora estivesse ainda disposto a fazer um
último sacrifício para salvá-la. Mas se os homens não se
arrependessem, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele
momento, Jesus apontou para os pobres sertanejos, lançou um
olhar ao Padre Cícero e disse, categoricamente: E tu, Padre
Cícero, toma conta deles!
A partir daí Padre Cícero
planejou sua vinda para o povoado de Juazeiro. Uma vez
instalado em sua nova residência, Padre Cícero deu início a
sua ação evangelizadora e moralizadora. Modificou os maus
hábitos da população acabando pessoalmente com a bebedeira e a
prostituição. Com ele o povoado experimenta os primeiros
passos rumo ao desenvolvimento.
O milagre
Um
fato extraordinário, acontecido pela primeira vez no dia 1º de
março de 1889, transformou a rotina do lugarejo e a vida do
Padre Cícero para sempre. Naquela data, ao participar de uma
comunhão reparadora, oficiada pelo Padre Cícero, uma beata
muito piedosa, chamada Maria Madalena do Espírito Santo de
Araújo, ao receber a hóstia consagrada não pôde degluti-la
porque a mesma se transformou em sangue.
O fato repetiu-se
dezenas de vezes e o povo crédulo achou que se tratava de um
novo derramamento do sangue de Jesus, sendo, portanto, um
milagre, mais tarde aceito também pelo Padre Cícero e outros
sacerdotes da redondeza. As toalhas com as quais limparam
a boca da beata, ficaram tintas de sangue e rapidamente
passaram a ser objeto da curiosidade do povo. Assim, o
povoado, antes insignificante, passou a ser alvo de grande
visitação popular, pois todos queriam ver os panos manchados
de sangue. Começaram, então, as romarias que não param de
crescer.
Apesar de ter sido testemunhado por muitas
pessoas dignas, mais de uma dezena de padres da região e ter
sido atestado por dois médicos e um farmacêutico como sendo um
fato sobrenatural, a Igreja nunca considerou o sangramento da
hóstia como milagre. O fato terminou numa polêmica Questão
Religiosa, ainda hoje não resolvida. Dentro da Igreja, ou mais
precisamente no seio do clero, o chamado milagre de Juazeiro
foi tratado como fato natural, superstições vãs, evoluiu para
embuste até que, em 1989, cem anos depois, a parapsicologia
estuda o assunto e o considera como uma espécie de aporte, que
é o aparecimento e sumiço de coisas, misteriosamente. Hoje, o
clero ainda continua dividido, mas são poucos os que acreditam
em embuste. Está em curso um processo visando à reabilitação
histórica e eclesial do Padre Cícero, coordenado pelo bispo D.
Fernando Panico.
Por conta das decisões de Roma, Padre
Cícero, injustamente acusado de desobediência e de estimular a
crença no pretenso milagre, foi punido pela Igreja com a
suspensão de suas ordens. Mais tarde os chamados milagres de
Juazeiro passaram a ser estudados por diversos cientistas
sociais no Brasil e no Exterior, sendo até motivo de teses
acadêmicas. E Juazeiro do Norte, por ser uma cidade mística,
tem sido objeto de vários documentários de tevê, o que a faz
muito conhecida e famosa.
Emancipação Política
Em
1907 o povoado de Juazeiro já havia alcançado um considerável
nível de desenvolvimento, mas continuava pertencente ao
município de Crato. Isto começou a incomodar os juazeirenses,
surgindo daí o desejo de independência. Um movimento emancipalista iniciado por eminentes cidadãos locais, entre os
quais José André de Figueiredo, Joaquim Bezerra de Menezes,
Francisco Nery da Costa Morato, Cincinato Silva, Manoel
Vitorino da Silva e João Bezerra de Menezes recebeu mais tarde
a adesão do Padre Cícero, do médico baiano Floro Bartolomeu da
Costa, do Padre Joaquim de Alencar Peixoto e do Professor José
Teles Marrocos, culminando com a vitória em 22 de julho de
1911, quando foi assinada a lei nº 1028, que elevou o povoado
à categoria de Vila e sede do Município.
Um forte aliado do
movimento de independência de Juazeiro foi o jornal O Rebate,
o pioneiro da imprensa juazeirense, fundado pelo Padre Joaquim
Marques de Alencar Peixoto, em 18 de julho de 1909. No dia 4
de outubro de 1911, a Vila de Juazeiro foi inaugurada
oficialmente, e o Padre Cícero foi empossado como seu primeiro
Prefeito, ou Intendente, como se chamava naquela época. No dia
23 de julho de 1914, através da Lei nº 1178, a Vila de
Juazeiro foi elevada à categoria de cidade. Esta data, porém,
não é comemorada.
Prevalece a data de criação do município. Em
9 de setembro de 1943, numa reunião realizada na Biblioteca
Municipal foi adotada a denominação de Juazeiro do Norte. Os
outros nomes sugeridos foram: Juripeba, Cariris, Padre Cícero,
Nordestina e Cicerópolis. Fora da cidade existem três
aglomerados humanos importantes: Marrocos, Padre Cícero
(antiga Palmeirinha) e Vila Três Marias.
Comércio e Indústria
Juazeiro do Norte é uma das cidades mais
importantes do Ceará. Foi a primeira cidade do interior
cearense a ter um shopping center, possui agências dos bancos
mais importantes do País e também concessionárias de todas as
montadoras de veículos nacionais. O parque industrial é
representado por indústrias de plástico, couro, bebidas,
refrigerantes, alumínio, alimentos, confecções, móveis, jóias
e laticínio, entre outras. O setor industrial continua à
espera de novas indústrias, mas o forte de Juazeiro do Norte
são as pequenas empresas, as chamadas empresas de fundo de
quintal, e de pequenos comerciantes que formam a conhecida
economia informal. Aqui de tudo se vende.
Educação e Cultura
Na área educacional funcionam muitas escolas de
primeiro e segundo graus e alguns cursos universitários,
inclusive na área tecnológica. Existe uma faculdade de
Medicina. Juazeiro é também um grande celeiro de cultura, com
centenas de livros publicados sobre os mais variados assuntos;
diversos grupos de dança, música e teatro, de onde têm saído
nomes famosos, como o ator José Wilker, o cantor e compositor
Fidelis, entre outrtos. Nas artes plásticas conta com
nomes consagrados internacionalmente, como Assunção Gonçalves
e Marcos Jussier. Foi aqui que surgiu a primeira Escola Normal
Rural do Brasil, fundada em 1934, hoje transformada em Centro
Educacional Professor Moreira de Sousa. A Escola Normal foi um
modelo educacional na época.
Saúde
No setor de
saúde dispõe de vários hospitais e clínicas médicas, dotadas
de modernos equipamentos, e médicos atuando nas mais diversas
especialidades. Da fundação do primeiro hospital aos dias de
hoje, houve realmente uma grande evolução.
Comunicação e Transporte
No ramo da radiodifusão existem várias
estações de radio AM e FM. Recentemente foram autorizadas duas
estações de televisão, sendo uma comercial (canal aberto) e
uma educativa. O setor de transporte interliga Juazeiro do
Norte com o Brasil e o mundo, através de ônibus e avião.
Possui uma estação rodoviária moderna e um aeroporto regional
de onde partem vôos diários.
Imprensa
Não é sem
razão que esta cidade é chamada de cemitério de jornais. Com
efeito, em pouco menos de um século já editou mais de uma
centena de periódicos. Muitos jornais tiveram vida efêmera e
sequer passaram do primeiro número. Outros, porém, como O
Rebate, Tribuna do Juazeiro, Folha de Juazeiro, Tribuna do
Povo, Jornal do Cariri e Folha da Manhã conseguiram uma longa
duração, e alguns ainda continuam, como é o caso de Folha da
Manhã e Jornal do Cariri, de circulação diária.
Turismo
Juazeiro do Norte é uma cidade com muitos
atrativos turísticos, sendo, por isso, visitada por romeiros e
turistas do Brasil e do Exterior, numa média anual de um
milhão de visitantes. A rede hoteleira conta com bons e
luxuosos hotéis, afora dezenas de pousadas e ranchos para
hospedagem de romeiros. Eis algumas atrações turísticas:
Monumento do Padre Cícero, na Serra do Horto, Santo Sepulcro,
Memorial Padre Cícero, Museu Padre Cícero, Matriz de Nossa
Senhora das Dores, Casa dos Milagres, Capela do Socorro,
Santuário de São Francisco, Igreja do Sagrado Coração de Jesus
e Praça Padre Cícero.
Lazer e Compras
Para
atividades de lazer e compras, a cidade dispõe de Parque
Ecológico, Açude Manoel Balbino (Carneiros), Parque de
Vaquejada, Parque São Geraldo, Iguatemi Shows, Estádio Mauro
Sampaio (Romeirão), Ginásio Poliesportivo, Centro de Cultura
Popular Mestre Noza, Associação dos Artistas e Amigos da Arte,
Casa dos Artesãos de Nossa Senhora das Dores e do Padre
Cícero, Cariri Shopping e o Mercado Central, além de uma vasta
rede de bares, restaurantes, pizzarias, churrascarias, self
service, cinemas, teatro e clubes sociais. É o maior pólo de
compras do interior cearense.
Datas Comemorativas
A
cidade de Juazeiro do Norte é conhecida nacionalmente como "A
Terra do Padre Cícero". É uma cidade santuário. Um dos maiores
centros de romarias e religiosidade popular do Brasil. Estas
são as datas mais importantes:
02 de fevereiro: Festa de Nossa Senhora das Candeias
(romaria);
24 de março: Aniversário de Padre Cícero;
22 de
julho: Aniversário do Município;
15 de setembro: Festa da
Padroeira Nossa Senhora das Dores (romaria);
1º
de novembro: Dia do Romeiro; 2 de novembro: Romaria do Padre Cícero.
Brasão

Bandeira

Hino Oficial da Cidade
Letra:
Dr. Geraldo Menezes Barbosa Música: Maestro Antônio Gondim
Ressurgida da fé e da bonança Cidade varonil,
querida e forte! Grande povo, tradição e esperança!
Salve! Excelsa Juazeiro do Norte!
Tempos idos
dominava um "Taboleiro" Onde um grande "Juazeiro" se
ensombrava Ao lado da Capelinha onde o romeiro De
joelhos bem contrito orava.
Refrão: Salve! Hoje oh
cidade de progresso, Aquela que mais cresce no Ceará!
Juazeiro tu és parte do Universo Teu sucesso na
história ficará
Um apóstolo do Bem e da Verdade
Veio dar sua vida em oblação No Nordeste construiu uma
cidade O imortal Padre Cícero Romão!
Pela Paz,
pelo Cristo e pela Fé Juazeiro cresceu e se fez forte
De bravura a independência pôs de pé De trabalho e
tradição encheu o Norte.
Por
Daniel Walker - Juazeiro
do Norte - Ceará - Brasil.
|