Dueré - Tocantins - Brasil

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A viagem dos fundadores
Nas estradas de chão, típicas do norte de Goiás, os garimpeiros Constâncio Rodrigues Barros, Hermínio Gomes de Almeida e Benedito Leopoldo da Fonseca (Tenente Fonseca) iniciaram a viagem que iria da sede do Distrito de Chapada, hoje Cristalândia, até o local onde futuramente surgiria a cidade de Dueré. O motivo desta caminhada era à procura de novos veios desse precioso mineral. Eles não dispunham de transporte motorizado, apenas de animais para carregarem seus poucos pertences. Acostumados a longos percursos, não desanimaram diante do pequeno trajeto que haveriam de enfrentar.
Em seguida chegaram Joaquim Pereira de Carvalho, Francisco Marques Veras (conhecido como Francisco Veras Figueiredo), João Castro, Sargento Acilon, Benjamim Figueiredo, Emídio Figueiredo, Olímpio José Limeira, Juarez Moreira. Neste período ocorreram à abertura de vários garimpos, entre eles, os denominados Manchão do Simeão e Fio Azul.
Nas estradas de chão típicas, das regiões do interior do Brasil, esses garimpeiros, iniciaram a viagem em direção às terras goianas. Eles não dispunham de transporte motorizado, apenas de animais para carregarem seus poucos pertences. Acostumados a longos percursos, não desanimaram diante da distância que haveriam de enfrentar.
Neste contínuo caminhar, os migrantes movidos pela ascensão do cristal de rocha, chegaram ao então Município de Cristalândia, que logo se desmembraria surgindo assim o Município de Dueré.
Foi no ano de 1944, quando vários garimpeiros iniciaram a extração de cristal de rocha na fazenda Santa Fé, região que futuramente pertenceria ao Município de Dueré.
Em 1946, com o surgimento do garimpo na cidade de Cristalândia, vários garimpeiros da fazenda Santa Fé, mudaram-se para lá. Como conseqüência desse fato, houve uma pausa de dois anos na extração de cristal de rocha na região onde atualmente localiza-se o Município de Dueré.
Em 1948, em pleno auge da extração de cristal na cidade de Formoso do Araguaia, foi reiniciada a extração deste mesmo mineral na região que hoje é a cidade de Dueré, pelos garimpeiros: Constâncio Barros, Joaquim Pereira de Carvalho, Benedito Leopoldo da Fonseca (conhecido como Tenente Fonseca), Francisco Marques Veras (conhecido como: Francisco Veras Figueiredo), João Castro e muitos outros. Neste período ocorreram à abertura de vários garimpos, entre eles, os denominados Manchão do Simeão e Fio Azul.
Primeiros contatos com os índios
Ao se instalarem pela primeira vez no território onde hoje e a cidade de Dueré, os garimpeiros e os poucos fazendeiros entraram em contato com os primeiros habitantes os índios avá-canoeiros popularmente chamados ou apelidados de cara-preta.
A fim de expulsar os invasores do seu território, os avácanoeiros atacavam e aterrorizavam os fazendeiros, destruindo o que podiam. Os avá-canoeiros não aceitavam nenhum tipo de contato pacífico. Eles insistiam em permanecer autônomos. A história do contato dos índios com os fazendeiros e garimpeiros em Dueré, estabeleceu a princípio, de modo tácito, esses índios devido a sua natureza indomável, não foram absorvidos pela pecuária nem tão pouco pelo garimpo, continuaram em conflito com essas duas atividades. Mantendo seu modo próprio modo de viver.
A pecuária não era a principal atividade devido à ascensão do garimpo. Mas consta que houve conflitos sanguinários entre poucos fazendeiros do povoado e da região decorrentes do contato do gado, em suas moradas rústicas, já que nos moravam em aldeias. Esses conflitos ocasionaram praticamente a extinção desses índios.
Os avá-canoeiros habitavam o território onde hoje esta situada à cidade de Dueré, mas o entorno do Município era habitado pelos índios Xavantes, Carajás e Javaés. Esses foram os que de fato fizeram parte de uma bonita história de convivência pacífica. Mas não fizeram parte da atividade agropecuária, vinham até o povoado apenas para fazer compras. A grande quantidade de garimpeiros que chegavam facilitava a convivência pacífica de ambas as partes. Foi o que ocorreu de fato.
A diversidade entre os índios não decorreu apenas de suas línguas, culturas, modos de viver e pensar. Também de fatores ligados ao tipo de contato que eles mantiveram com os não-índios. Que com certeza no inicio não foi amigável, mas logo todos se entenderam e construíram uma bonita historia de adaptação de diferentes culturas.
A chegada dos primeiros comerciantes
Em 1949, ocorreu a chegada de varias pessoas ao povoado, entre elas, os Srs. Elesbão coelho Lima, Sebastião Reinaldo de Lima Numeriano Bezerra da Silva, entre outros, que com suas lojas, atendiam ás necessidades de consumo da população residente no povoado. Nesta época o Sr. João Francisco do Nascimento (conhecido como João Galego), abastecia a cidade com produtos agrícolas e pecuários, produzidos em sua fazenda, localizada nas proximidades do povoado.
As cargas de cereais eram injeção de ânimo na espinha dorsal daquele Município. Os pobres dos cargueiros, logo que despontava a manhã, invadiam a corruptela, com seus olhares velhacos. Vinham à procura de dinheiro e conforto, apesar de serem escassos, dando lugar à exploração e à falta de respeito.
Eles não pegavam nem um pouquinho de grana, porque eram tudo feito na base da gambira, como se fossem ciganos. Os comerciantes eram muitos espertos, pois trocavam uma garrafa de querosene, por um surrão grande de milhos verdes, uma concha da mão cheia de pimenta-do-reino, por um caçuá de macaxeira, uma colher de erva-doce, por um rolo de fumo-de-corda da beira do Tocantins.
Os pobres sertanejos limpavam a terra com dificuldade, judiados pelo sol, encoivaravam, plantavam, tornavam a limpar, colhiam e depois iam à cidade para entregar seus mantimentos para os comerciantes e donas de casas a troco de quase nada. Às vezes traziam carne seca de caça, mas as donas de casa só compravam se fossem a preço de banana, alegando que a carne de caça é danada de reimosa, pondo pouco na mercadoria alheia pra poder comprar barata.
Os primeiros criadores de gado
Os primeiros criadores de gado chegaram em 1949, juntos com os comerciantes, eram os Srs. Gregório Gomes Aguiar, Antônio Zanina, João Galego, Aniceto de Abreu, Jobe de Souza Lima, João Ribeiro e muitos outros que sediaram suas fazendas na localidade. O Sr. Francisco do Nascimento (conhecido como João Galego) abastecia a cidade com produtos agrícolas e pecuários, produzidos em sua fazenda localizada nas proximidades do povoado.
Organizando o espaço do povoado
Com a chegada dos garimpeiros no local onde hoje é a cidade de Dueré, a necessidade de definir-se o espaço do povoado foi imediata. Em princípio a ocupação foi surgindo obedecendo à dinâmica típica das regiões de garimpo. As casas eram feitas com parede e teto de palha de uma forma provisória. Logo que se estabilizaram melhor os garimpeiros construíram casas com paredes de taipa.
De propriedade do Sr. Constâncio Rodrigues de Barros, a primeira casa de adobe coberta de telha de Dueré foi construída em 1953, pelos Srs. Luiz Barros e Raimundo. Essa primeira fase foi apenas para efeito de domicilio. Mas mesmo assim prestou um enorme atendimento não só aos garimpeiros, mas aos habitantes do povoado que em geral estava instalando-se naquele local.
A Segunda etapa da casa foi a que contribuiu literalmente para consolidação cívica, religiosa, histórica, cultural e política do povoado. Pois ela era a sede da coletoria municipal, depois da primeira eleição foi utilizada como a prefeitura municipal, celebrações religiosas quando os padres vinham, consultório odontológico e médico quando os profissionais estavam presentes.
A parte interna da casa se dividia em sala ampla, à qual se ligava os quartos e a cozinha bem arejada, onde estava o fogão caipira, o pote d’água, coberto com um prato no qual ficava os copos de alumínio bem polidos ou um pano de algodão bem alvo. Completando o ambiente, um mobiliário simples, alguns bancos rústicos e os armários com prateleiras, forradas com panos alvos e bordados onde abrigavam os utensílios de alumínio polidos. O jirau, estrado de varas sobres forquilhas, para se lavar utensílios domésticos, e o banheiro erguido do lado de fora.
Dueré hoje
O Município de Dueré é situado na Microrregião do Médio Tocantins Araguaia, no Sudoeste do Estado. Acesso ao parque nacional do Araguaia, onde situa a Ilha do Bananal. Sua população é estimada em 4565 habitantes (Censo IBGE 2000), fica a 244 km de Palmas. A área do Município é de 3466 km, limita-se com os seguintes Municípios. Ao norte com Aliança, ao Sul Gurupi e Formoso do Araguaia, a leste com Gurupi e a oeste com Formoso do Araguaia e Aliança.
A localidade é banhada por uma extensa rede fluvial destacando-se os rios Dueré, Formoso, Xavante, Córrego Lava-Pé, Canastra, Três Lagoas, Preto. O clima é o tropical úmido e quente. Suas chuvas caem com maior intensidade de Novembro a Março, sua temperatura média anual oscila entre 22 a 26 graus Celsius. A máxima absoluta ocorre entre os meses de Setembro a Outubro (superior a 35 graus Celsius). E a mínima absoluta entre Junho e Julho (inferior a 15 graus Celsius). Acha-se localizada a 235 metros de altitude, está a 12’ 24” latitude 49 10’12’’ longitude.
O Município se destaca na agropecuária do Estado sendo o terceiro maior produtor de grãos. Seus produtos principais são soja, arroz, mandioca, milho, e melancia. Em seus rebanhos constam bovinos, suínos, eqüinos, bubalinos, caprinos, ovinos, e aves.
Atrativos turísticos com selo da EMBRATUR são rio Formoso, Praia da Gaivota, Lagoa Bonita, Lago Redondo e aproximadamente 70 km de margem do Rio Formoso com belíssimas praias.
Possui um território acidentado com uma cobertura vegetal constituída na sua maior parte de campos e cerrados predominantes no solo do Município no lato solo vermelho-amarelo de baixa à média fertilidade, subsolo rico em minério com grandes reservas de cristal de rocha, ainda inexplorados totalmente.
Apesar da perseguição do homem ainda encontra no Município uma fauna bem variada com grande quantidade de animais como cutias, tatus, emas, seriemas, antas, caititus, mateiros, servos, capivara, jacarés, e lontras.
A flora é bastante diversificada, com pequena quantidade de cada espécie, sendo encontradas nas margens dos rios, madeiras como: ipê, aroeira, jatobá, angico, sucupira.
Fonte: Domingos de Gusmão Barros de Carvalho |
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