Fundação de Saúde de Dueré

Em janeiro de 1994 contactamos no Tocantins Dr. João Edilson, nascido em Missão Velha, cidade Caririense, que nos atendeu com toda presteza que é peculiar a todos os cearenses. O mesmo morava em Dueré, cidade ao Sul do Estado do Tocantins, à direita da BR 153, para quem viaja no sentido norte/sul, distante aproximadamente 230 km de palmas, Capital do Estado. Ele nos animou com as maravilhas naturais, a hospitalidade e receptividade do Povo, bem como o atrativo financeiro daquela Região. Marcamos nossa viagem, mantivemos os contatos profissionais, fizemos nossa inscrição no Concurso para médico do Estado, tudo fechado, viajamos.

Em fevereiro de 1994 chegamos eu e minha Família em Dueré, Tocantins.  Ao chegar, além de Dr. João Edilson, conhecemos o Médico-Veterinário Dr. Carlos Tabajara, companheiros incansáveis de todas as horas, ambos funcionários públicos estaduais. A Comunidade me recebeu muito bem. A minha missão aqui era trabalhar como médico, para dar o sustento aos meus familiares. Ao chegar deparamos com um Posto de Saúde equipado para sua finalidade, porém insuficiente para o porte daquela Comunidade.

Ao começarmos a atender a Comunidade como médico, víamos nos olhos e nas atitudes que aquele povo queria algo mais. Começamos, após vários bate-papos informais com os moradores, dentre eles pessoas ilustres como Sadoc Lima e muitos outros, a entender que aquela gente tinha a maior vontade de ter um Hospital. Já eram descritos inúmeros casos clínicos que tinha tido resultados diferente do esperado devido a falta de um nosocômio.

Nos reunimos eu, Tabajara e João Edilson. Resolvemos procurar a conversar com o Povo e os políticos locais dentre eles o Prefeito, na época, Zé Alencar também Nordestino, nascido no Leste Piauiense, mais precisamente na cidade de Alegrete. Todos ficaram contra inclusive o governante local. Apenas quem precisava da obra nos incentivou. Ass pessoas mais carentes entusiasmadíssimas. A cidade mais próxima para atendimento seria Gurupi distante a mais de 50 km.

Como não recebemos apoio das autoridades da cidade, convocamos o Povo para uma grande reunião no Amazonas Clube, local mais adequado e que tinha um bom espaço, e expusemos o que a comunidade queria ouvir. O Cirurgião-Dentista João Edilson, eloqüente nos seus discursos, colocou muito apropriadamente o que deveria acontecer. Dr. Tabajara também foi muito enfático. A comunidade acatou e respeitou nossa sugestão para a idéia que eles já tinham. Iríamos a partir daquela reunião e tantas outras que se sucederam, construir um Hospital em regime de mutirão, através das doações da comunidade. Foi o que aconteceu.

Criamos uma Fundação. Chamava-se Fundação de Saúde de Dueré, que tinha como finalidade única construir e administrar o Hospital Comunitário de Dueré. As obras começaram por volta de abril, depois de muitas doações. Os fazendeiros, não menos interessados, foram os mais generosos com seus repasses. O Povo não ficou atrás e fez sua parte. Entidades  como a Fundação BAMERINDUS, e algumas outras contribuíram.

Desta maneira, e com a entrada na parceria da Imprensa escrita, como vemos os recortes abaixo, Imprensa falada e televisada, do Governo Estadual, e do Povo das cidades vizinhas, menos de um ano do início da construção, já atendíamos dentro do próprio Hospital, como mostram as fotografias. Inclusive neste primeiro edifício já funcionava uma Farmácia Básica.

No ano seguinte trocou de Governo o Estado do Tocantins. O Prefeito local passou a ser do mesmo lado do governante estadual. Imaginem o que aconteceu! Começaram as maiores perseguições. Uma delas foi minha demissão da Prefeitura local e a outra foi minha transferência para outro Município. Nem isto fez-nos parar. Continuamos o trabalho nos meus dias de folga e nos finais de semana.

Foi uma luta incessante, porém gratificante. As coisas foram se estreitando, as perseguições aos doadores se intensificando. O Povo sendo levado a crer que éramos "forasteiros" e não devíamos ter crédito para continuar a construção. De maneira que em 09 de janeiro de 1996 o Governo do Estado, por sugestão do Prefeito, enviou a Polícia Militar e tomou o Hospital. 

Hoje o Hospital é uma realidade. Os Governantes se sensibilizaram e junto com a Comunidade concluíram a obra, e o Povo de Dueré já pode nascer, se tratar de muitas enfermidades em seu próprio Município, trazendo conforto para quem precisa se tratar, e diminuindo a evasão de renda para outras cidades.

Eu serei eternamente grato ao Povo de Dueré por ter me dado esta oportunidade de participar de sua História. Sou grato a todos, que de uma maneira ou de outra ajudaram aquele Povo tão amigo e tão explorado, ter o seu próprio Hospital. Principalmente aos Doutores Tabajara e João Edilson serei sempre agradecido.

Clique na foto para ampliar:

Primeiro momento da construção. Aqui deu início o "Mitirão pela Saúde". Ao fundo vemos Antônio "Crente" e outros amigos de luta na hora do lanche.
1994

O FIAT 147 de Antônio "Crente". Esta viatura foi muito importante na obra deste Hospital. Fez inúmeras viagens para arrecadar donativos.
1994

Zé Baiano levantando a primeira parede. João Edilson, Janilda, Dona Constância e outros... na hora da merenda que era servida à tarde.

1994

Zé Baiano, outro que acreditou na vontade de nosso Povo. Ainda hoje nos correspondemos.
1994

Antônio "Crente" sentando tijolos, na primeira parede. Foi um dos incentivadores do Projeto.
1994

João Edilson olhando Antônio Crente trabalhando. Ao fundo Dona Constância serve o lanche.
1994

Os dois blocos vistos de frente. Isto foi uma luta contra o tempo...
1995

Em primeiro plano o segundo bloco. Paredes já em andamento.
1995

Primeiro bloco praticamente pronto. Já fazíamos atendimento médico...
1995

Eu atendendo já no Hospital um ano depois... Este foi um momento que consolidou a obra.
1995

O primeiro bloco construído. Aqui já funcionava uma Farmácia Básica com muitos medicamentos.
1995

Segundo bloco em andamento... Isto tudo ocorreu com apoio do Povo, sem ajuda Governamental.
1995

Abaixo temos recortes de jornais que deram o maior apoio na época. A Imprensa escrita, falada e televisada apoiou e incentivou a Comunidade continuar a empreitada. Somos eternamente gratos a toda Imprensa Tocantinense. Ao clicar aparecerá a devida reportagem.

 

Jornal "Cocktail" - Gurupi - TO

1º Editorial - J. do Tocantins - Palmas - TO

Jornal "O Araguaia" - Palmas - TO

Jornal "Cocktail" - Gurupi - TO

Jornal "Cocktail" - Gurupi - TO

Jornal "Ação Empresarial" - Gurupi - TO

Jornal do CFM - Brasília - DF

Jornal do CFM - Brasília - DF

Jornal do Tocantins - Palmas - TO

 

2º Editorial - J. do Tocantins - Palmas - TO

 

 

Hoje o Hospital encontra-se funcionando em regime de plantão ou seja 24 horas com médico, enfermagem, etc. Estive lá em dezembro de 2005 e fiz estas fotografias abaixo.

 

Fiquei muito contente por ver esta obra, que o povo tanto almejava e pela qual lutou por longos anos, concluída. Hoje Dueré conta, para tratar de seus munícipes, com o Hospital e o Posto de Saúde.

Posto de Saúde
Dezembro/2005

Frente do Hospital

Dezembro/2005

Lateral do Hospital

Dezembro/2005

Maternidade do Hospital

Dezembro/2005

Centro Cirúrgico do Hospital

Dezembro/2005

Urgência/Emergência do Hospital

Dezembro/2005